Curso 3: Desenvolvimento Agêntico | Rodrigo Pinto
Frameworks de Desenvolvimento Agêntico
“Padrões que escalam”
Método Tempo para o que Importa
Abertura — Recap
E1: O Básico
Claude Code, CLAUDE.md, memory, permissões
E2: Contexto
Context Engineering, skills, slash commands
E3: Agent Teams
Sub-agentes, paralelização, pipelines de verificação
Hoje: os FRAMEWORKS que organizam tudo isso em projetos reais.
Sem framework
Com framework
Visão Geral
1
BMAD
Orchestrator pattern
Projetos complexos
2
Spec Kit + Super Powers
Spec-driven development
Claude Code avançado
3
Multi-Agent Patterns
Roo Code modes
Biblioteca de padrões
Cada um resolve problemas diferentes. O segredo é saber quando usar qual.
Objetivo do Encontro 4
1. Estruturar projetos complexos com BMAD orchestrator
2. Escrever specs que agentes implementam automaticamente
3. Compor padrões multi-agente para qualquer workflow
Build • Measure • Act • Decide
O orchestrator pattern para projetos complexos
Um sistema de orquestração que divide projetos complexos em fases e roles, com um agente maestro coordenando tudo.
Princípio Central
Nenhum agente faz tudo. Cada agente tem um role específico e o orchestrator decide quem faz o que, quando.
Quando usar?
BMAD — As 4 Fases
BUILD
Definir escopo, specs,
arquitetura
MEASURE
Implementar, testar,
coletar métricas
ACT
Code review, QA,
correções
DECIDE
Aprovar, iterar,
ou pivotar
O ciclo se repete até o projeto estar completo. Cada fase tem agentes especializados.
BMAD — Roles
Orchestrator (Maestro)
Coordena todos os outros. Decide a ordem, distribui tarefas, valida resultados. Sempre ativo.
Analyst
Fase BUILD: analisa requisitos, cria specs, define arquitetura e dependências.
Developer
Fase MEASURE: implementa código seguindo as specs. Escreve testes unitários.
Reviewer + QA
Fase ACT: revisa código, roda testes, valida qualidade. Reporta ao Orchestrator.
projeto/
CLAUDE.md ← instruções do orchestrator
.bmad/
roles/ ← analyst.md, developer.md, reviewer.md
specs/ ← specs geradas pelo analyst
decisions/ ← log de decisões (DECIDE)
metrics/ ← resultados de testes (MEASURE)
src/ ← código implementado
tests/ ← testes automatizados
Tudo versionado no Git. Cada decisão é rastreável.
| BMAD (orquestrado) | Simples (direto) | |
|---|---|---|
| Tamanho | +5 componentes, multi-arquivo | 1-3 arquivos, tarefa única |
| Duração | Dias a semanas | Minutos a horas |
| Equipe | Colaborativo, auditável | Solo, rápido |
| Verificação | Automática (reviewer + QA) | Manual ou básica |
| Exemplo | SaaS completo, API + frontend | Script, refactor pontual |
Não use bazuca para matar mosquito.
1. Escolham um projeto real (ou usem o exemplo: "API de gestão de tarefas")
2. Criem a estrutura .bmad/ com roles, specs, decisions
3. Escrevam o CLAUDE.md com instruções de orchestrator
4. Peçam ao agente analyst para gerar a primeira spec
5. Observem: o agente seguiu a estrutura? A spec está clara?
Debrief — Ciclo 1
O orchestrator é o CLAUDE.md — ele define quem faz o que
Roles claros = agentes focados = melhor resultado
Specs na pasta .bmad/specs/ = contexto persistente
Funciona porque aplica Context Engineering (E2) em escala
+ Super Powers
Escreva a spec primeiro. Deixe os agentes implementar.
Não comece pelo código. Comece pela especificação. O agente implementa melhor quando sabe EXATAMENTE o que você quer.
Abordagem comum
"Crie uma API de tarefas"
Resultado: agente decide tudo, você não controla
Spec-driven
"Implemente conforme spec.md"
Resultado: agente segue SUA visão, você mantém controle
# spec.md
## Objetivo
O que o sistema faz (1-2 frases)
## Arquitetura
Stack, dependências, estrutura de pastas
## Endpoints / Features
Lista detalhada com inputs, outputs, validações
## Regras de Negócio
Restrições, permissões, edge cases
## Critérios de Aceitação
Testes que DEVEM passar para considerar pronto
A spec é um documento vivo — atualiza conforme o projeto evolui.
Capacidades Avançadas
Claude Code tem capacidades além do básico que turbina o spec-driven development.
Extended Thinking
Raciocínio profundo para decisões complexas de arquitetura
Multi-file Editing
Edita dezenas de arquivos em uma única operação coerente
Bash + Tools
Executa comandos, roda testes, instala deps automaticamente
Think — "pense profundamente sobre isso"
Ativa extended thinking para problemas complexos. Use antes de decisões de arquitetura.
TodoWrite — checklist interno
O agente cria e atualiza uma lista de tarefas. Mantém foco em projetos grandes.
Grep + Glob — busca inteligente
Busca padrões no codebase inteiro. Encontra onde mudar antes de mudar.
Agent tool — sub-agentes sob demanda
Lança sub-agentes para tarefas paralelas. Já vimos no E3!
1. Escrever
Spec completa
2. Think
Validar arquitetura
3. Implementar
Agente segue spec
4. Verificar
Testes + review
5. Iterar
Atualizar spec
O loop 3-4-5 repete até todos os critérios de aceitação passarem.
1. Escolham uma feature simples (ex: "endpoint que calcula IMC")
2. Escrevam uma spec.md com: Objetivo, Arquitetura, Endpoints, Regras, Critérios
3. Peçam ao Claude Code: "Implemente conforme spec.md. Use extended thinking antes de começar."
4. Verifiquem: o resultado atende os critérios de aceitação?
5. Se não atende, atualizem a spec (não o prompt!) e peçam de novo.
Debrief — Ciclo 2
A qualidade do output é proporcional à qualidade da spec.
Spec vaga = resultado vago.
Spec precisa = resultado preciso.
Spec com critérios = resultado verificável.
Spec Kit + BMAD = combo poderoso para projetos grandes.
☕
20 minutos
Voltamos para Multi-Agent Patterns — a biblioteca de padrões para compor qualquer workflow.
A biblioteca de padrões
Personas diferentes para tarefas diferentes. Composição para workflows reais.
Cada "mode" é um agente com system prompt, permissões e foco diferentes.
Code Mode
Foco: implementação. Permissão: editar arquivos, rodar comandos. Não discute — executa.
Architect Mode
Foco: design e planejamento. Permissão: só leitura. Analisa, não implementa.
Ask Mode
Foco: explicar e ensinar. Responde perguntas sobre o codebase sem modificar nada.
Custom Modes
Você cria o seu: reviewer, docs-writer, security-auditor, etc.
Um agente "genérico" é medíocre em tudo.
Um agente com persona clara (role + restrições + foco) é excelente no que faz.
É o mesmo princípio do E1: Context Engineering.
Mas agora aplicado a múltiplos agentes simultaneamente.
Lembram do Curso 1? Role prompting funciona para agentes também!
Pattern Library
🔎
Research Agent
Analisa código existente, busca padrões, documenta estado atual
🔨
Implementation Agent
Escreve código seguindo specs e padrões do projeto
🔍
Review Agent
Revisa código, encontra bugs, sugere melhorias, valida segurança
🚀
Deploy Agent
Configura CI/CD, roda testes finais, prepara release
Cada persona tem: system prompt + restrições + ferramentas permitidas
Padrões de Composição
Hub-and-Spoke
Um orchestrator central coordena todos os outros. Cada agente reporta ao hub.
Uso: BMAD, projetos grandes
Pipeline
Agentes em sequencia. Output de um é input do próximo. Sem retorno.
Uso: coder → reviewer → deploy
Colaborativo
Agentes trabalham em paralelo no mesmo contexto. Compartilham resultados.
Uso: pesquisa + implementação simultânea
🔎
Research
"Analise o codebase e documente padrões"
🔨
Implement
"Implemente feature seguindo padrões"
🔍
Review
"Revise contra critérios de qualidade"
🚀
Deploy
"Rode testes e prepare release"
Cada seta é um handoff: o output de um agente alimenta o próximo.
No Claude Code: use agent tool para lançar cada etapa como sub-agente.
Quality Assurance
Em sistemas agênticos, confiabilidade importa mais que qualidade de uma única execução.
O Método
1. Execute a mesma tarefa do agente 10 vezes
2. Avalie cada output contra criterios definidos
3. Meça a consistência dos resultados
4. Se taxa de sucesso < 80% → o prompt/contexto precisa melhorar
Integre na fase "Measure" do BMAD como quality gate sistemático.
Prompt bom = resultado consistente. Se varia muito, o problema está no prompt, não no modelo.
Não existe "o" padrão certo. Existe o padrão certo para você.
Projeto solo, rápido? → Spec Kit + pipeline simples (coder → reviewer)
Projeto grande, multi-componente? → BMAD + hub-and-spoke + specs por módulo
Pesquisa + implementação? → Colaborativo (research + coder em paralelo)
Manutenção contínua? → Custom modes (Roo Code style) para tarefas recorrentes
1. Escolham um projeto REAL do trabalho de vocês
2. Listem as personas necessárias (mínimo 3)
3. Definam o padrão de composição (hub-spoke, pipeline, ou colaborativo)
4. Escrevam o system prompt de CADA persona (2-3 frases)
5. Implementem pelo menos 1 etapa usando agent tool no Claude Code
Comparação
| BMAD | Spec Kit | Multi-Agent | |
|---|---|---|---|
| Complexidade | Alta (full framework) | Média (spec + agente) | Variável (compose) |
| Melhor para | Projetos enterprise | Features isoladas | Workflows custom |
| Setup | 30-60 min | 10-15 min | 5-30 min |
| Rastreabilidade | Total (decisions/) | Via spec.md | Via logs |
| Curva | Ingreme | Moderada | Depende |
Na prática: comece com Spec Kit, escale para BMAD quando precisar.
1. Formem duplas
2. Cada pessoa explica: qual framework usaria no SEU próximo projeto e por quê?
3. Discutam: em que situação os OUTROS frameworks seriam melhores?
4. Compartilhem 1 insight que o colega trouxe
1
Seu chefe pede um sistema novo com 10 telas e API. Qual framework?
2
Você precisa refatorar UMA função crítica com testes. Qual abordagem?
3
Você quer um agente que monitore processos e gere alertas diários. Como compor?
Fechamento
BMAD — orquestração formal para projetos complexos
Spec Kit — escreva a spec primeiro, o agente implementa depois
Super Powers — think, tools, multi-file editing amplificam tudo
Multi-Agent — personas + composição = workflows sob medida
Frameworks são padrões, não regras. Adapte ao seu contexto.
Próximo Encontro
Hoje aprenderam a organizar agentes. Na próxima vez, vamos conectá-los ao mundo real: bancos de dados, Notion, browsers.
Tarefa: Escolham um projeto e criem a estrutura de pastas com CLAUDE.md + spec.md.
Testem pelo menos 1 framework (BMAD ou Spec Kit) em algo real.
Curso 3: Desenvolvimento Agêntico
Rodrigo Pinto
Método Tempo para o que Importa